Confira a matéria que saiu no Jornal A Tarde, sobre a produção dos Supercomputadores Accept, na matriz em Ilhéus:

Polo de Ilhéus já monta supercomputadores
Nove unidades já foram vendidas e a previsão é montar 50 até o final do ano e dobrar a produção em 2012
A produção de supercomputadores pela Accept, empresa localizada no Polo de Informática de Ilhéus (a 456Km de Salvador), começou no início deste ano e, dasunidades montadas até agora, nove foram vendidas, oito delas para a Universidade de São Paulo. Mas a previsão é montar 50 até o final deste ano e dobrar a produção em 2012.
As máquinas são destinadas a departamento de pesquisas em universidades e empresas que trabalham com cálculos aritméticos elevados, tais como cálculos sísmicos ou metereológicos.
O produto é destinado exclusivamente ao mercado brasileiro, e o valor de cada unidade pode variar entre R$ 35 mil até R$ 65 mil, a depender da configuração.
Diferencial
Segundo Silvio Ferraz de Campos, diretor de contrato da empresa, as máquinas tem a base de processador Intel Xeon, que pode ter de dois a quatro GPUs (Unidade de Processamento Gráfico) em cada CPU (Unidade Central de Processamento).
O grande diferencial do produto é a soma de processamento de CPU com GPUs.
“Para o serviço feito em um supercomputador, antes seriam necessários vários servidores, já que não havia essa tecnologia”, explica Silvio.
Como a montagem é feita sob encomenda, a empresa não contratou novos funcionários, mas aproveitou a mão de obra dos 45 da linha de montagem do polo. “No momento, o quadro funcional é suficiente. Mas, se a demanda aumentar, será preciso contratar profissionais de pré-venda e ampliar a linha de montagem e pós-venda”, diz Silvio Ferraz.
Dificuldades
De acordo com a assessoria do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos, Computadores, Informática e Similares de Ilhéus e Itabuna (Sinec), o Polo de Informática de Ilhéus foi criado em 1995 e, nos anos de 2005 e 2006, foi responsável por cerca de 25% de toda a produção nacional de computadores, hoje esse número não passa de 12%.
Atualmente, cerca de 60 empresas estão instaladas, e atuam no ramo de informática, eletrônica, elétrica e telecomunicações, que vêm sofrendo os impactos da flutuação no câmbio do dólar e problemas causados pela crise financeira de 2008 nos Estados Unidos.
Para Nilson Santana, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Informática de Ilhéus, na região, há deficiência de profissionais qualificados, e a mão de obra mais especializada vem de fora. A média salarial de quem atua na linha de montagem é de cerca de R$ 600, abaixo de outros centros produtores.
“Todo incremento na produção é bem-vindo, mas ainda é preciso investir em treinamento e qualificação local, pois a linha de produção de computadores tem evoluído muito rápido”, diz.
Segundo ele, o polo de Ilhéus conta com 1600 empregos diretos e 300 indiretos e as empresas enfrentam dificuldades por conta dos incentivos fiscais oferecidos em outros polos. “A guerra fiscal entre os estados tem prejudicado empresas locais, que deixaram suas portas na cidade e procuraram outros centros para se instalar”, resumiu Nilson Santana.
Fonte: Joá Souza – Ilhéus – Jornal A Tarde